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    2019-06-12

    Por sua vez, na Nicarágua, glut1 Revolução Sandinista de 1979 foi resultado de um acúmulo de forças sociais heterogêneas –camponeses, operários, pobres e marginalizados da cidade e do campo, intelectuais e setores progressistas da burguesia– em torno de um objetivo comum: liquidar o governo da família Somoza no país, abrindo caminho para a emancipação da sociedade nicaraguense em face da oligarquia local e do imperialismo dos Estados Unidos. De caráter popular e anti-imperialista, o movimento de oposição ao governo de Anastasio Somoza Debayle foi canalizado pelo grupo politicamente mais organizado, a Frente Sandinista de Liberación Nacional (fsln), no sentido de dotá-lo de uma perspectiva revolucionária, o que culminou com a revolução de 1979 e encerrou décadas de ditadura somozista na Nicarágua. Esse movimento revolucionário se inspirou em Augusto César Sandino, líder guerrilheiro que lutou, nos anos 1920 e 1930, contra a ocupação norte-americana no país. Assim como em Cuba, os termos do socialismo na Nicarágua foram adotados no transcorrer da “rota de desenvolvimento da questão nacional nicaraguense”. Em comum com as estratégias revolucionárias postas em prática em Cuba esteve, também, na Nicarágua, a opção pela luta armada. Como destacou Matilde Zimmermann, “tanto a Revolução Cubana de 1959 como a Revolução Sandinista de 1979 tiveram um impacto eletrizante, que repercutiu muito além de suas fronteiras”, levando à proliferação de movimentos socialistas e nacionalistas, muitos deles armados, em pontos diversos da América Latina, durante as décadas de 1960, 1970 e 1980. Essas duas experiências revolucionárias foram analisadas por alguns colaboradores da revista Araucaria de Chile, dentre eles os já renomados escritores Julio Cortázar, Mario Benedetti, Eduardo Galeano e o diretor do impresso, Volodia Teitelboim. Em função da recorrência desses assuntos, propomos, neste artigo, uma discussão baseada nas representações referentes aos respectivos movimentos revolucionários em Cuba e na Nicarágua pelos intelectuais colaboradores da revista Araucaria de Chile. Buscaremos vincular tais debates políticos à condição de exílio intelectual e ao contexto ditatorial vivido pelo Chile nas décadas de 1970 e 1980, bem como ao editorialismo programático da revista, próximo aos preceitos do pcch.
    Torna-se premente, a priori, trabalharmos com conceitos significativos para o estudo em questão, quais sejam, o de cultura política, representação, intelectuais e exílio. Assim, por cultura política, entendemos, com base em Rodrigo Patto Sá Motta, um conjunto de valores, tradições, práticas e representações políticas compartilhado por determinado grupo, expressando, dessa forma, identidades coletivas, fornecendo leituras e modos de ver comuns do passado, bem como para projetos futuros, determinando as motivações do ato político. Os valores da cultura política comunista foram mobilizados por Araucaria de Chile, dentre os quais fizeram parte as representações favoráveis às revoluções na América Latina e do Caribe, como a cubana e a sandinista, e o forte teor anti-imperialista dos textos publicados na revista. Importante para o entendimento de uma cultura política e essencial para o artigo em questão, o conceito de representação é compreendido como “um conjunto que inclui ideologia, linguagem, memória, imaginário e iconografia, mobiliz[ando], portanto, mitos, símbolos, discursos, vocabulários e uma rica cultura visual”. A acepção de Helenice Rodrigues da Silva torna-se útil para complementar o conceito utilizado por Rodrigo Patto Sá Motta e apreendido por nós. Para a autora, “a representação de um objeto corresponde, então, a um conjunto de informações, de opiniões e de crenças referentes a esse objeto”, constituindo modos específicos de conhecimento do real e permitindo, aos indivíduos, agir e comunicar mediante essa forma subjetiva de ver o mundo.